segunda-feira, 29 de outubro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Outro ar
Chega roubando o presente
Em suspiro de instante,
Que se refastela, se espalha,
se perde, fracionado pelo infinito...
E logo é falta novamente.
Que é fim, se não reinventa horizonte.
Que é fim, se não recolhe,
acolhe, cata,
no dia a dia, na memória,
a surpresa, o carinho,
a sedução que na vida faz desejar
o próximo momento,
o próximo dia,
o desejo.
Mais,
a certeza dos que sabem
trilhar a serenidade,
que não é tola, mas sede,
precipitação,
que observa e avança.
Bete-Sita
sábado, 8 de setembro de 2012
Farfalhar
tocando o vento
despudoradamente
senti o verso de tua carne
e em meu ouvido tua voz arde.
nas cascas de árvores
iluminadas pelo poente
sigo lendo palavras que em ti
ainda não fazem alarde.
e folhas altas, todas verdes
presas e agarradas,
emitem sons orquestrados
contra o céu azul, muito azul.
mas não há norte ou sul
quando se espalha por humana terra,
sem tempo para as verdes asneiras
ou tempestades de poeira.
e é assim, na forma ausente,
que tal amor em tudo diferente,
sem verbete e sem caneta, surpreende,
descola das folhas secas, em voo de borboleta.
Bete-Sita
domingo, 8 de julho de 2012
Amor na baila
Esfinge de pedra, estátua de praça
em curva nada pública,
nos olhos tantos segredos,
os brilhantes e os negros.
Mulheres amadas, mulheres mal amadas
cantadas como pobres coitadas,
mulheres são sol, onde se pode pousar,
e aguardam o estio para então libertar.
Ambos percebem que o amor é dança
e ficam tontos de tanto dançar.
Mas amor é dança que muda de par,
só os sãos podem o parceiro solto no salão apreciar.
O que se pretende ocultar?
Belo intervalo, que por pura ousadia
de salto perdido, pretende-se perpetuar.
O amor no tempo ensurdece e até enfastia.
Mulheres que não são da companhia,
há homens que temem essa possível sincronia.
Amor é balada triste que cochila,
acalentada nos acordes e trinados da própria alegria.
acalentada nos acordes e trinados da própria alegria.
Bete-Sita
Da linha do equador
De tuas nevascas estou afastada,
por ti me achava finalmente esquecida e quase feliz.
O que posso te oferecer?
Uma bela tigela, para tuas velhas mãos e uma sopa bem quente...
Minha delicadeza me impede os chutes, o bater da porta; pois compreendo.
Mas o norte...O norte?
O mudei de lugar.
Bete-Sita
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